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Roteiro dos Fortes:
uma viagem por 500 anos de história
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Roteiro dos Fortes, na Baixada Santista: uma viagem por 500 anos de história

Circuito turístico que passa por oito fortificações
militares construídas em pontos estratégicos da costa paulista

                    Ao iniciar o passeio, o visitante tem a sensação de estar regressando no tempo, numa viagem pela história do Brasil: segue-se por um caminho de natureza exuberante, tendo como guia a trajetória militar. É o Circuito Turístico Roteiro dos Fortes, que reúne reservas de mata atlântica, vistas privilegiadas e construções que remontam a várias fases dos 500 anos da história do Brasil, desde o início da colonização até meados do século 20. Pelo circuito, pode-se conhecer em dois dias a Fortaleza São João, o Forte São Felipe, ambos em Bertioga, a Fortaleza da Barra (foto) e a Fortaleza do Itapema (Guarujá), construídos no século 16; a Casa do Trem Bélico e o Forte Augusto (em Santos), século 17 e, do século 20, as Fortalezas de Itaipu e dos Andradas, Praia Grande e Guarujá, respectivamente.

                    O projeto, instituído pela Secretaria da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo, em parceria com órgãos locais, integra o novo modelo de desenvolvimento turístico estabelecido pelo governo do Estado de São Paulo, que já tem os circuitos das Frutas e dos Bandeirantes. “Estamos cuidando para que o turismo tome novos rumos e comece a ser encarado como uma fonte de geração de trabalho e renda”, espera o secretário da pasta, João Carlos Meirelles. O Roteiro dos Fortes pretende estimular o turismo da região fora da época de temporada e facilitar o seu acesso ao patrimônio histórico.

Padrão de atendimento
                    “Apesar das mais de 80 praias, a Baixada Santista também é rica em outros atrativos turísticos, se considerarmos a mata e o patrimônio que revelam suas origens. Com o roteiro, vamos explorar uma parte dessa vertente e atrair turistas o ano todo”, avalia o arquiteto Carlos Zundit, da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem), responsável pelo desenvolvimento do projeto. Segundo ele, a estimativa é de que o novo produto aproxime, inicialmente, cerca de 10 mil turistas por mês, em especial grupos de escolas e empresas, principalmente da Grande São Paulo e região. “Mas temos planos a longo prazo, como o de atrair pessoas de todo o Brasil e de fora do País, pois o que ofereceremos tem potencial”, considera Zundit.

                    Para isso, tem a participação do Sebrae, parceiro na iniciativa, que se propõe a divulgar o roteiro em seus mais de 50 pontos espalhados pelos Estados brasileiros. A delegada da Secretaria de Turismo do Estado na Baixada, Maria Thereza Ortali, explica que sete agências estarão preparadas para atender a demanda. Elas têm participado das oficinas de trabalho do Roteiro dos Fortes, que reúnem os gestores e outros interessados, e atuarão conforme o padrão de atendimento definido em conjunto.

Trilhas ecológicas
   
                 Os turistas poderão escolher entre as várias opções de passeio, com início em diferentes pontos. Lúcia Valente, da agência Harpyia, de Santos, diz que a idéia é agregar, no futuro, outros atrativos históricos e culturais da região. “Como é um trabalho de parcerias (empresas e Estado), acreditamos que o circuito deve ter uma grande demanda”. A Secretaria de Ciência e Tecnologia tem à disposição o material de propaganda do Roteiro dos Fortes, elaborado pela Agem. Os preços devem variar entre R$ 50,00 e R$ 300,00. Carlos Zundit afirma que o valor será tabelado e variará de acordo com o pacote escolhido.

                    “As agências interessadas em aderir deverão se adaptar ao regulamento padrão, que estabelece entre as exigênciase quais serviços devem ser criados, tipos de veículos a serem oferecidos, seguros, etc”, diz Zundit. De acordo com a delegada, a princípio três das oito atrações que integram o passeio não estarão em condições de receber os visitantes: a Casa do Trem Bélico, porque atualmente abriga um centro de convivência infantil municipal, que será transferido de local futuramente, e os Fortes São Felipe (foto) e Itapema.

                    O primeiro, em ruínas, depende da instalação de um píer para atracação de barcos, pois o acesso só será possível dessa forma, e o Itapema, por ser gerido pela Receita Federal, que ainda está em fase de articulação para a manutenção do local. “Essas providências não estarão concluídas para o lançamento, mas estão em andamento”, garante Maria Thereza.

                    Trilhas ecológicas na Fortaleza de Itaipu e no Forte dos Andradas, localizados em área de mata atlântica preservada e quartéis ativos, serão incorporadas ao programa num segundo momento. “Temos recebido apoio da Fundação Cultural Exército Brasileiro em todas as ações”, conclui Maria Thereza.

Monumentos
   
                 Cada um dos oito monumentos que fazem parte do circuito guarda em sua arquitetura um retrato resumido da história militar e de fases da história do Brasil. Por isso, alguns já realizam programas de visitação individuais, caso dos Fortes São João e Andradas e das Fortalezas Itaipu e Barra Grande. “As fortificações, que sempre se caracterizaram como construções funcionalistas por excelência, hoje esvaziadas de suas funções militares, buscam se adaptar a novos programas sociais.

                    São documentos da história e da arte que as gerações futuras têm o direito de conhecer e se reconhecer”, avalia Victor Hugo Mori, no livro Arquitetura Militar - Um Panorama Histórico a Partir do Porto de Santos, co-edição da Imprensa Oficial do Estado com a Fundação Cultural Exército Brasileiro. Arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e tendo participado das obras de restauração das fortalezas da Barra Grande, Bertioga e Itaipu, aborda em sua obra vários aspectos a respeito do tema, a partir do Roteiro dos Fortes. Segundo ele, “a defesa do Porto de Santos representa um retrato resumido da história da arquitetura militar”.

Por dentro do roteiro
   
                 A visitação não segue a ordem cronológica. Começa numa construção do século 20, a Fortaleza de Itaipu, localizada numa pequena serra litorânea da Praia Grande, que moldura o costão sul da baía de Santos, em plena mata atlântica, totalmente preservada. “A área da Fortaleza é de 2,4 milhões de metros quadrados, o maior pedaço de mata atlântica destacado da Serra do Mar”, ressalta o presidente da Sociedade Amigos da Fortaleza de Itaipu, José Alonso Júnior, que faz as vezes de guia para o nosso passeio. Composta por três Fortes –, Jurubatuba, General Rêgo Barros e Duque de Caxias – a Fortaleza teve sua construção iniciada em 1902, sob o comando do engenheiro francês Augusto Ximeno Vileroy. O objetivo era de que substituísse a Fortaleza da Barra Grande, de posição estratégica considerada obsoleta para a época.

                    Desde 1960, hospeda o 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado e, há cinco anos, está aberta à visitação. É da área operacional do quartel que se segue rumo à Praça das Armas do Forte Duque de Caxias, cerca de 100 metros acima do nível do mar.

Importante ícone
   
                 Pelo caminho, é possível apreciar a beleza da mata exuberante ao lado de informações históricas, enquanto despontam vários locais interessantes, como a prainha do Comandante (1903), muralha junto à qual era realizado o desembarque de todo o material bélico; o Forte Jurubatuba (1919), único a receber um bombardeio, em 1932, e o General Rêgo Barros, que está sendo preparado para trilhas ecológicas. “O Rêgo Barros é um ícone muito importante, pois foi o último forte construído no Brasil. Aliás, o circuito abriga, também, o primeiro, que foi o São João. O roteiro mostra o início e o fim dessas construções”, orgulha-se José Alonso.

                    Na seqüência, avista-se o aquartelamento do Duque de Caxias (em restauração), que era chamado de Quartel de Paz, e logo a Praça das Armas, com vista que alcança quase 360 graus. Também estão lá alguns exemplares dos canhões Schneider Canet, os primeiros a guarnecerem o local. Cerca de meia hora depois chega-se a Santos, para conhecer o local onde foi erguido o Forte Augusto, em 1734. Ele cruzava fogo com a Fortaleza da Barra Grande e sofreu muitos ataques ao longo de 150 anos. Após repelir o cruzador República, na Revolta da Armada, acabou em ruínas. Hoje, no local funciona o Museu de Pesca de Santos, num belo prédio erguido em 1908 para ser a Escola de Aprendizes-Marinheiros. Do antigo Forte, só resta na entrada o canhão Withworth 70 libras, apontado para a Fortaleza da Barra, o próximo destino.

                    O acesso a esse local é feito por meio de barca, numa travessia bastante rápida. A construção do século 16 é sólida e exuberante. É um marco na paisagem de Santos, embora esteja localizada na ponta da Ilha de Santo Amaro, no Guarujá, na embocadura do estuário do Porto de Santos. Foi restaurada entre 1994 e 2000, conforme projeto do arquiteto Lucio Costa, que preservou suas características: muralhas espessas feitas de argamassa de sambaqui (mistura de conchas moídas, areia e óleo de baleia), plataformas de pedra para canhões e guaritas, tudo pintado de branco e erguido em 1584 para proteger a Vila de Santos de ataques de corsários e piratas.

                    Durante a restauração, a capela ganhou um painel com 20 metros quadrados e 350 mil pastilhas coloridas, do artista Manabu Mabe, que o batizou de Vento Vermelho. “Vocês estão pisando em 500 anos de história”, empolga-se o coronel de Artilharia Elcio Rogério Secomandi, assessor para projetos especiais da Universidade Católica de Santos, instituição que administra a Fortaleza, tombada pelo Iphan em 1967. A universidade tem programa de visitação e mantém guias no local. Um deles, Ivan Di Ferraz, compôs um hino para a Fortaleza e o apresenta aos visitantes.

Piratas, índios, soldados e colonizadores
De 1584 para 1942.
   
                 Em outro ponto do Guarujá, o Forte dos Andradas, erguido no topo do Morro do Manduba, ostenta a arquitetura do último período da artilharia de posição, chamada de cortina invisível. É todo subterrâneo (cerca de 500 metros de túnel), cravado na rocha bruta a uma profundidade de 30 metros (com câmaras e elevadores), onde podiam ficar abrigadas dezenas de homens e a munição do sistema de defesa. Ao ar livre, a 300 metros do nível do mar, ficam os quatro obuseiros Krupp de 280 mm e o posto de comando e observação, camuflados na mata, de onde se tem uma visão panorâmica do Guarujá e das três pequenas praias preservadas, pertencentes à área militar. Desde 1994, recebe turistas, que partem do quartel ativo da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, mantenedora do sítio histórico, por uma estradinha de cerca de 2 mil metros de extensão cercada de mata atlântica, na qual podem ser vistos pássaros, lagartos, bichos-preguiça, entre outros animais.

                    O roteiro termina no Forte mais antigo do Brasil, o São João (foto), construído em 1547, nos primórdios da colonização, a mando de Martim Afonso de Souza. Fica à margem do canal de Bertioga e foi construído para proteger os colonizadores dos ataques dos índios tamoios. Foi palco de importantes passagens do primeiro século da história do Brasil. Hoje, restaurado, conserva paredes e plataformas originais. É mantido pela prefeitura de Bertioga, que organizou em suas dependências mostras de peças que contam sua história.

                    No Forte São João está a sala de Anchieta, com bela vista para as ruínas do São Felipe, localizado na ponta da Ilha de Santo Amaro. Chega-se até ele por uma trilha, após travessia de barco. Há, ainda, um espaço dedicado aos índios e uma sala ambientada ao estilo de uma oca tupiniquim. Fim do roteiro. Fim das histórias de piratas, índios, soldados e colonizadores, personagens que fizeram parte da formação do povo brasileiro.

Fortes Tombados pelo IPHAN
- Forte de São Felipe da Bertioga (Guarujá)
                   
No lugar onde primitivamente existia uma paliçada para defesa contra os ataques indígenas, na Ponta da Baleia, foi erigido em 1765, o forte de São Felipe que cruzando os fogos com a Fortaleza de São João estabeleceu o sistema defensivo da Barra de Bertioga. Da fortaleza de1765 restam as muralhas. Arquitetura Militar.

- Forte da Barra Grande, inclusive o Fortim da Praia do Góis, o Portão Espanhol e toda a área que os envolve (Guarujá)
                   
Construída após os assaltos piratas às vilas de Santos e São Vicente entre 1584 e 1590, foi reconstruída em 1723-1725 e concluída em 1742, conforme inscrição na capela. Com duas sequências de muralhas o conjunto é ampliado durante o Morgado de Mateus, com a edificação do Fortim da Praia do Góes e do Portão Espanhol que remata a amurada que acompanha a linha da costa. O tombamento inclui as áreas envoltórias as edificações. Arquitetura Militar.

- Forte de São Tiago; Forte São João da Bertioga (Santos)
                   
Praça de guerra retangular, com guaritas nas extremidades, o pequeno forte situa-se na barra, à frente do Forte de São Felipe. Sustenta-se que as suas primitivas instalações se originariam da passagem de Martim Afonso de Souza pela região, reconstruídas sucessivamente até 1710. Arquitetura Militar.

Informações
Mais informações sobre o Roteiro dos Fortes, contatar a Agem, pelo tel. (13) 3202-7000

Fonte: Agência Imprensa Oficial do Estado de SP

Pontos Turísticos - Fortes da Baixada Santista

Fortaleza da Barra (Guarujá)

          O mais importante monumento histórico-militar do Estado de São Paulo enriquece a topografia da paisagem. As muralhas ou cortinas defensivas escoram duas plataformas sobrepostas, e depois se unem em direção à praia do Góes, num total de 300 m. Na plataforma inferior elas apresentam guaritas, que eram torres destinadas ao abrigo das sentinelas. A plataforma superior abriga o prédio principal, chamado quartel, que tem cerca de 800 m2. Possui também uma antiga praça de armas, que se estende até uma entrada denominada 'portão espanhol'. Os canhões que existiam na fortaleza estão espalhados por museus de todo o País, como o que se encontra no jardim do Museu de Pesca, em Santos (veja verbete). Hoje, no local há apenas a réplica de um original de campanha do século XIX, padrão Blomfeld, de 12 libras. Em fibra de vidro, possui carreta de madeira e foi produzida pelo artista plástico Daniel Gonzalez. Com 80 m2 de área, a capela da fortaleza tem fachada barroca. Foi erguida a partir das instalações da antiga Casa de Pólvora, um depósito de armamentos e munições transferido para local mais seguro, no alto do morro, em 1742. Exibe o painel 'O Vento Vermelho', montado com 350 mil pedras coloridas, última obra de Manabu Mabe. 

          A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande foi construída pelos espanhóis em 1584, época em que Portugal e Brasil estavam sob domínio da Espanha, e protegeu o estuário de Santos na época da Colônia, do Império e da República. Foi desativada em 1905 e tombada em 1967, mas ficou no abandono até 1993, quando a Universidade Católica de Santos (UniSantos) organizou uma comissão de restauração. Erguido quando o Guarujá fazia parte de Santos, hoje o monumento está situado no território vizinho e acha-se em fase final de recuperação.
Local

Acesso por barco a partir da Ponte Edgard Perdigão, na Av. Saldanha da Gama, bairro da Ponta da Praia, em direção à Praia dos Góes, com solicitação prévia de escala na fortaleza
Preço da travessia: R$ 1,50
Funciona diariamente, das 9h00 às 17h00
Agendamento para grupos pelo telefone 3205-5555, ramal 617

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Forte Augusto (Santos)

          No local onde está instalado o prédio do Museu de Pesca, existiu o Forte Augusto, conhecido ainda como da Estacada, da Trincheira e do Castro. A sua história teve início em 1734, quando a sua construção é iniciada pelo comandante João Costa de Oliveira, nomeado pelo então governador da Capitania, conde de Sarzidas. O forte foi construído sobre alicerces de pedra de alvenaria mal argamassado e com pequena espessura, por isso, não resistiu ao contato com o mar e aos combates. Foi desativado no final do século 19 para dar lugar, em 1906, ao prédio da Escola de Aprendizes Marinheiros.
Local
Av. Bartolomeu de Gusmão, 192 telefone 3261-5260
Funciona de terça-feira a domingo das 10 às 17 horas

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Fortaleza de Itaipu (Praia Grande)

          Localizada na Praia Grande, a Fortaleza de Itaipu ocupa uma área de 2 milhões 400 mil m2 e faz parte do Parque Xixová Japuí, a maior área de Mata Atlântica preservada da Serra do Mar. O complexo militar reúne os fortes Duque de Caxias, Rêgo Barros e Jurubatuba. O nome Itaipu é originário dos índios, que assim denominavam o movimento das ondas que que cresciam e arrebentavam violentamente nos costões. Sua construção, em 1902, surgiu da necessidade de se construir um forte mais moderno, uma vez que a Fortaleza da Barra Grande não apresentava mais condições para defender a entrada do canal que dá acesso ao Porto de Santos.
Local
Av. Marechal Mallet, s/n, Canto do Forte telefone 3473-6054 e 3473-4265
Funciona de sábados, domingos e feriados das 10 às 18 horas

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Fortaleza de Itapema (Guarujá)

          Reconstruía em 1638 por Torquato Ferreira de Carvalho, possui 8 peças de artilharia. Em 1905 passou à disposição da Alfândega de Santos. Tendo muito pouco registro documental, Itapema deveria ser apenas uma casa forte ou reduto armado com primitivas bocas de fogo constituídas de bombardas (máquinas de guerra com que se arremessava grandes blocos de pedra), falcões (peça de artilharia de calibre três) e falconetes (de calibre inferuior ao falcão).
Local
Defronte do Porto de Santos
Fechado para visitação, pode ser visto por terra, saindo do centro de Guarujá, ou por mar, através de uma embarcação que sai da Ponte dos Práticos. Telefone 3352-1222

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Forte São Felipe (Guarujá)

          Localizado na Ponta da Baleia no extremo-norte da Ilha de Santo Amaro, foi construído por Brás Cubas em 1552, através de uma solicitação do governador Tomé de Souza ao rei D. João III, que estava ocupado com os ataques dos tupinambás, tamoios e dos franceses às cidades de Bertioga e Guarujá. Tinha a função de, juntamente com a artilharia do Forte São João, defender o Canal de Bertioga. A construção em pedra é uma casa fortificada para abrigar material pesado como pólvora e munição. A edificação do Forte de São Felipe ocorreu em 1557, pelo capitão-mor Jorge Ferreira. O projeto de sua construção, enviado de Portugal, foi concebido dentro dos novos conceitos renascentistas. No ano de 1745 instituiu-se no local uma das mais importantes fábricas de óleo de baleia do Brasil, que tinha uma filial na Praia do Góes. O óleo era utilizado nas edificações da época. A bateria de canhões da fortaleza nunca chegou a dar um tiro. Foi abandonada em 1577 e tombada pelo Iphan em 1965.
Local
Ponta da Baleia
Fechado para visitação. Pode ser visto pelo mar.

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Fortaleza dos Andradas (Guarujá)

          Situado no Guaiúba, à entrada da Baía de Santos, no extremo-sul da Ilha de Santo Amaro, foi inaugurado em 1942. Recebeu esse nome em homenagem aos irmãos Andradas: José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Francisco, e foi chamada originalmente pelos caiçaras e índios de Monduba (barulho ensurdecedor provocado pelo choque estrondoso das ondas nos penhascos). Ocupa uma área de 2,1 milhões de m2 e foi construída escavando e encravando túneis com diversas galerias nas rochas do Morro do Monduba, com o objetivo de assegurar a extensa faixa litorânea. O conjunto das construções possui um Quartel de Paz, situado na Praia do Monduba, onde abriga o quartel-general da 1ª Brigada de Artilharia Articulada, a Bateria do Comando e um Quartel de Guerra, atualmente desativado. Fazia parte de um sistema defensivo junto com a Fortaleza do Itaipu em Praia Grande para proteger, principalmente, o Porto de Santos.Até hoje esta fortaleza subterrânea, embora desativada, é vista como um grande monumento da arquitetura e da engenharia militar brasileira. Suas instalações incluem até um hotel com dez suítes que podem abrigar, com todo conforto, oficiais do Exército e civis indicados pelos militares.
Local
Rua Horácio Guedes Barreira, s/n, Praia do Tombo
Visitas aos sábados, domingos e feriados das 9 às 17 horas, telefone 3354-3239 ramal 2085

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Forte São João (Bertioga)

          Conhecido como Forte de São Thiago de Bertioga, está situado no extremo-sul da praia de Bertioga, onde o canal faz junção com as águas do mar. Em 1531, Diogo Braga (que era casado com uma índia) juntamente com os tupiniquins, constroem a primeira paliçada em local estratégico e de grande beleza natural de frente ao canal de Bertioga para defender a sua entrada. A fortificação possibilitou o desembarque dos primeiros portugueses como Martim Afonso de Souza. Em 1547, dada a importância estratégica do canal, os portugueses decidiram então, construir uma fortificação de pedra que, mais sólida pudesse resistir aos ataques inimigos. Dois anos mais tarde, em 1549, Hans Staden, um jovem náufrago alemão, chega a Bertioga e reorganiza as armas instaladas no forte. Foi nele que, em 1563, os jesuítas Manuel da Nóbrega, José de Anchieta e o italiano de Gênova, Francisco Adorno, se hospedaram por alguns dias, antes de irem para Ubatuba apaziguar os índios revoltados na Confederação dos Tamoios. Considerado o forte mais antigo do Brasil, foi tombado como Patrimônio Nacional em 1940. 

          Hoje, totalmente restaurado, mantém um acervo cultural preservado de duas grandes culturas. A primeira exposição é referente à indumentária, armas, hábitos e costumes dos primeiros índios que habitaram Bertioga, a segunda mostra é marcada pela presença de material religioso, embarcações, armas e armaduras dos colonizadores portugueses do Século 16.
Local
Praia de Bertioga
Abre diariamente das 10 às 17 horas, telefone 3317-3567

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Casa do trem bélico (Santos)

          A denominação 'trem', que designa um conjunto de objetos apropriados a certo serviço, deve-se ao fato de o imóvel destinar-se a arsenal bélico. Lanças, arcabuzes, mosquetes e munição eram armazenados para proteger a vila de naus corsárias. Embora só no Rio de Janeiro e Bahia tenham sido erguidas construções do gênero, mantém as características originais da época colonial. A planta retangular desenvolve-se sobre plataforma de pedra aparente lavrada, material que se repete no brasão e volutas que coroam a porta do térreo. Nos dois pavimentos - unidos por escadaria lateral externa que leva a um alpendre - a pedra é repetida em umbrais e vergas retas de portas e janelas, que dispõem de folhas de madeira almofadada. Com mais de 90 cm de largura, as paredes resguardam contra o calor. Elas decorrem da técnica construtiva da época, que empregava pedras, cal de sambaqui e óleo de baleia. Este também era utilizado para iluminação, em todo o Brasil. Sustentada por uma estrutura de falsa tesoura, a cobertura de quatro águas é formada por telhas fabricadas por escravos. Como os negros modelavam o barro nas coxas para obter peças no formato de canal, o resultado era pouco uniforme. Segundo alguns historiadores, vem daí a expressão 'nas coxas', para designar trabalho imperfeito. Formando três linhas de telhas sobrepostas, o telhado tem acabamento em beira ceveira (beira sobre beira). Esse elemento arquitetônico acrescentou outro termo ao idioma - sem eira nem beira - que significa situação de miséria.

          É um dos poucos exemplares do gênero no País, considerada a única construção colonial-militar. Em 1937, a Casa do Trem teve a primazia de ser uma das primeiras relíquias do território paulista a ser considerada monumento nacional.

          Erguida entre 1640 e 1646, a partir de 1948 a edificação abrigou o Tiro de Guerra 11, para a prestação de serviço militar e do qual se originou o nome da rua. Depois abrigou escola, seção de alistamento eleitoral e Serviço de Subsistência do Exército. Desde 1998 ali funciona um departamento da Prefeitura Municipal que se destina a resgatar menores por meio de oficinas de surfe, teatro, dança de rua e 'hiphop' (movimento ligado à cultura negra e expresso na dança, em letras de música e grafitagem).
Local
Rua Tiro Onze nº 11
Tel. 3221-1385
Encontra-se fechado

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