|
| |
Roteiro
dos Fortes:
uma viagem por 500 anos de histórias
Roteiro
dos Fortes, na Baixada Santista: uma viagem por 500 anos de história
Circuito
turístico que passa por oito fortificações
militares construídas em pontos estratégicos da costa paulista
Ao iniciar o passeio, o visitante tem a sensação de estar regressando no
tempo, numa viagem pela história do Brasil: segue-se por um caminho de natureza
exuberante, tendo como guia a trajetória militar. É o Circuito Turístico
Roteiro dos Fortes, que reúne reservas de mata atlântica, vistas privilegiadas
e construções que remontam a várias fases dos 500 anos da história do
Brasil, desde o início da colonização até meados do século 20. Pelo
circuito, pode-se conhecer em dois dias a Fortaleza São João, o Forte São
Felipe, ambos em Bertioga, a Fortaleza da Barra (foto) e a Fortaleza do Itapema
(Guarujá), construídos no século 16; a Casa do Trem Bélico e o Forte Augusto
(em Santos), século 17 e, do século 20, as Fortalezas de Itaipu e dos
Andradas, Praia Grande e Guarujá, respectivamente.
O projeto, instituído pela Secretaria da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento
Econômico e Turismo, em parceria com órgãos locais, integra o novo modelo de
desenvolvimento turístico estabelecido pelo governo do Estado de São Paulo,
que já tem os circuitos das Frutas e dos Bandeirantes. “Estamos cuidando para
que o turismo tome novos rumos e comece a ser encarado como uma fonte de geração
de trabalho e renda”, espera o secretário da pasta, João Carlos Meirelles. O
Roteiro dos Fortes pretende estimular o turismo da região fora da época de
temporada e facilitar o seu acesso ao patrimônio histórico.
Padrão de
atendimento
“Apesar das mais de 80 praias, a Baixada Santista também é rica em outros
atrativos turísticos, se considerarmos a mata e o patrimônio que revelam suas
origens. Com o roteiro, vamos explorar uma parte dessa vertente e atrair
turistas o ano todo”, avalia o arquiteto Carlos Zundit, da Agência
Metropolitana da Baixada Santista (Agem), responsável pelo desenvolvimento do
projeto. Segundo ele, a estimativa é de que o novo produto aproxime,
inicialmente, cerca de 10 mil turistas por mês, em especial grupos de escolas e
empresas, principalmente da Grande São Paulo e região. “Mas temos planos a
longo prazo, como o de atrair pessoas de todo o Brasil e de fora do País, pois
o que ofereceremos tem potencial”, considera Zundit.
Para isso, tem a participação do Sebrae, parceiro na iniciativa, que se propõe
a divulgar o roteiro em seus mais de 50 pontos espalhados pelos Estados
brasileiros. A delegada da Secretaria de Turismo do Estado na Baixada, Maria
Thereza Ortali, explica que sete agências estarão preparadas para atender a
demanda. Elas têm participado das oficinas de trabalho do Roteiro dos Fortes,
que reúnem os gestores e outros interessados, e atuarão conforme o padrão de
atendimento definido em conjunto.
Trilhas ecológicas
Os turistas poderão escolher entre as várias opções de passeio, com início
em diferentes pontos. Lúcia Valente, da agência Harpyia, de Santos, diz que a
idéia é agregar, no futuro, outros atrativos históricos e culturais da região.
“Como é um trabalho de parcerias (empresas e Estado), acreditamos que o
circuito deve ter uma grande demanda”. A Secretaria de Ciência e Tecnologia
tem à disposição o material de propaganda do Roteiro dos Fortes, elaborado
pela Agem. Os preços devem variar entre R$ 50,00 e R$ 300,00. Carlos Zundit
afirma que o valor será tabelado e variará de acordo com o pacote escolhido.
“As agências interessadas em aderir deverão se adaptar ao regulamento padrão,
que estabelece entre as exigênciase quais serviços devem ser criados, tipos de
veículos a serem oferecidos, seguros, etc”, diz Zundit. De acordo com a
delegada, a princípio três das oito atrações que integram o passeio não
estarão em condições de receber os visitantes: a Casa do Trem Bélico, porque
atualmente abriga um centro de convivência infantil municipal, que será
transferido de local futuramente, e os Fortes São Felipe (foto) e Itapema.
O primeiro, em ruínas, depende da instalação de um píer para atracação de
barcos, pois o acesso só será possível dessa forma, e o Itapema, por ser
gerido pela Receita Federal, que ainda está em fase de articulação para a
manutenção do local. “Essas providências não estarão concluídas para o
lançamento, mas estão em andamento”, garante Maria Thereza.
Trilhas ecológicas na Fortaleza de Itaipu e no Forte dos Andradas, localizados
em área de mata atlântica preservada e quartéis ativos, serão incorporadas
ao programa num segundo momento. “Temos recebido apoio da Fundação Cultural
Exército Brasileiro em todas as ações”, conclui Maria Thereza.
Monumentos
Cada um dos oito monumentos
que fazem parte do circuito guarda em sua arquitetura um retrato resumido da
história militar e de fases da história do Brasil. Por isso, alguns já
realizam programas de visitação individuais, caso dos Fortes São João e
Andradas e das Fortalezas Itaipu e Barra Grande. “As fortificações, que
sempre se caracterizaram como construções funcionalistas por excelência, hoje
esvaziadas de suas funções militares, buscam se adaptar a novos programas
sociais.
São documentos da história e da arte que as gerações futuras têm o direito
de conhecer e se reconhecer”, avalia Victor Hugo Mori, no livro Arquitetura
Militar - Um Panorama Histórico a Partir do Porto de Santos, co-edição da
Imprensa Oficial do Estado com a Fundação Cultural Exército Brasileiro.
Arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan),
e tendo participado das obras de restauração das fortalezas da Barra Grande,
Bertioga e Itaipu, aborda em sua obra vários aspectos a respeito do tema, a
partir do Roteiro dos Fortes. Segundo ele, “a defesa do Porto de Santos
representa um retrato resumido da história da arquitetura militar”.
Por dentro do
roteiro
A visitação não segue a ordem cronológica. Começa numa construção do século
20, a Fortaleza de Itaipu, localizada numa pequena serra litorânea da Praia
Grande, que moldura o costão sul da baía de Santos, em plena mata atlântica,
totalmente preservada. “A área da Fortaleza é de 2,4 milhões de metros
quadrados, o maior pedaço de mata atlântica destacado da Serra do Mar”,
ressalta o presidente da Sociedade Amigos da Fortaleza de Itaipu, José Alonso Júnior,
que faz as vezes de guia para o nosso passeio. Composta por três Fortes –,
Jurubatuba, General Rêgo Barros e Duque de Caxias – a Fortaleza teve sua
construção iniciada em 1902, sob o comando do engenheiro francês Augusto
Ximeno Vileroy. O objetivo era de que substituísse a Fortaleza da Barra Grande,
de posição estratégica considerada obsoleta para a época.
Desde 1960, hospeda o 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado e, há cinco
anos, está aberta à visitação. É da área operacional do quartel que se
segue rumo à Praça das Armas do Forte Duque de Caxias, cerca de 100 metros
acima do nível do mar.
Importante ícone
Pelo caminho, é possível apreciar a beleza da mata exuberante ao lado de
informações históricas, enquanto despontam vários locais interessantes, como
a prainha do Comandante (1903), muralha junto à qual era realizado o
desembarque de todo o material bélico; o Forte Jurubatuba (1919), único a
receber um bombardeio, em 1932, e o General Rêgo Barros, que está sendo
preparado para trilhas ecológicas. “O Rêgo Barros é um ícone muito
importante, pois foi o último forte construído no Brasil. Aliás, o circuito
abriga, também, o primeiro, que foi o São João. O roteiro mostra o início e
o fim dessas construções”, orgulha-se José Alonso.
Na seqüência, avista-se o aquartelamento do Duque de Caxias (em restauração),
que era chamado de Quartel de Paz, e logo a Praça das Armas, com vista que
alcança quase 360 graus. Também estão lá alguns exemplares dos canhões
Schneider Canet, os primeiros a guarnecerem o local. Cerca de meia hora depois
chega-se a Santos, para conhecer o local onde foi erguido o Forte Augusto, em
1734. Ele cruzava fogo com a Fortaleza da Barra Grande e sofreu muitos ataques
ao longo de 150 anos. Após repelir o cruzador República, na Revolta da Armada,
acabou em ruínas. Hoje, no local funciona o Museu de Pesca de Santos, num belo
prédio erguido em 1908 para ser a Escola de Aprendizes-Marinheiros. Do antigo
Forte, só resta na entrada o canhão Withworth 70 libras, apontado para a
Fortaleza da Barra, o próximo destino.
O acesso a esse local é feito por meio de barca, numa travessia bastante rápida.
A construção do século 16 é sólida e exuberante. É um marco na paisagem de
Santos, embora esteja localizada na ponta da Ilha de Santo Amaro, no Guarujá,
na embocadura do estuário do Porto de Santos. Foi restaurada entre 1994 e 2000,
conforme projeto do arquiteto Lucio Costa, que preservou suas características:
muralhas espessas feitas de argamassa de sambaqui (mistura de conchas moídas,
areia e óleo de baleia), plataformas de pedra para canhões e guaritas, tudo
pintado de branco e erguido em 1584 para proteger a Vila de Santos de ataques de
corsários e piratas.
Durante a restauração, a capela ganhou um painel com 20 metros quadrados e 350
mil pastilhas coloridas, do artista Manabu Mabe, que o batizou de Vento
Vermelho. “Vocês estão pisando em 500 anos de história”, empolga-se o
coronel de Artilharia Elcio Rogério Secomandi, assessor para projetos especiais
da Universidade Católica de Santos, instituição que administra a Fortaleza,
tombada pelo Iphan em 1967. A universidade tem programa de visitação e mantém
guias no local. Um deles, Ivan Di Ferraz, compôs um hino para a Fortaleza e o
apresenta aos visitantes.
Piratas, índios,
soldados e colonizadores
De 1584 para 1942.
Em outro ponto do Guarujá, o
Forte dos Andradas, erguido no topo do Morro do Manduba, ostenta a arquitetura
do último período da artilharia de posição, chamada de cortina invisível.
É todo subterrâneo (cerca de 500 metros de túnel), cravado na rocha bruta a
uma profundidade de 30 metros (com câmaras e elevadores), onde podiam ficar
abrigadas dezenas de homens e a munição do sistema de defesa. Ao ar livre, a
300 metros do nível do mar, ficam os quatro obuseiros Krupp de 280 mm e o posto
de comando e observação, camuflados na mata, de onde se tem uma visão panorâmica
do Guarujá e das três pequenas praias preservadas, pertencentes à área
militar. Desde 1994, recebe turistas, que partem do quartel ativo da 1ª Brigada
de Artilharia Antiaérea, mantenedora do sítio histórico, por uma estradinha
de cerca de 2 mil metros de extensão cercada de mata atlântica, na qual podem
ser vistos pássaros, lagartos, bichos-preguiça, entre outros animais.
O roteiro termina no Forte mais antigo do Brasil, o São João (foto), construído
em 1547, nos primórdios da colonização, a mando de Martim Afonso de Souza.
Fica à margem do canal de Bertioga e foi construído para proteger os
colonizadores dos ataques dos índios tamoios. Foi palco de importantes
passagens do primeiro século da história do Brasil. Hoje, restaurado, conserva
paredes e plataformas originais. É mantido pela prefeitura de Bertioga, que
organizou em suas dependências mostras de peças que contam sua história.
No Forte São João está a sala de Anchieta, com bela vista para as ruínas do
São Felipe, localizado na ponta da Ilha de Santo Amaro. Chega-se até ele por
uma trilha, após travessia de barco. Há, ainda, um espaço dedicado aos índios
e uma sala ambientada ao estilo de uma oca tupiniquim. Fim do roteiro. Fim das
histórias de piratas, índios, soldados e colonizadores, personagens que
fizeram parte da formação do povo brasileiro.
Fortes Tombados
pelo IPHAN
- Forte de São Felipe da Bertioga
(Guarujá)
No lugar onde primitivamente existia uma paliçada para defesa contra os
ataques indígenas, na Ponta da Baleia, foi erigido em 1765, o forte de São
Felipe que cruzando os fogos com a Fortaleza de São João estabeleceu o sistema
defensivo da Barra de Bertioga. Da fortaleza de1765 restam as muralhas.
Arquitetura Militar.
- Forte da Barra Grande, inclusive o Fortim da
Praia do Góis, o Portão Espanhol e toda a área que os envolve (Guarujá)
Construída após os assaltos piratas às vilas de Santos e São Vicente
entre 1584 e 1590, foi reconstruída em 1723-1725 e concluída em 1742, conforme
inscrição na capela. Com duas sequências de muralhas o conjunto é ampliado
durante o Morgado de Mateus, com a edificação do Fortim da Praia do Góes e do
Portão Espanhol que remata a amurada que acompanha a linha da costa. O
tombamento inclui as áreas envoltórias as edificações. Arquitetura Militar.
- Forte de São Tiago; Forte São João da
Bertioga (Santos)
Praça de guerra retangular, com guaritas nas extremidades, o pequeno forte
situa-se na barra, à frente do Forte de São Felipe. Sustenta-se que as suas
primitivas instalações se originariam da passagem de Martim Afonso de Souza
pela região, reconstruídas sucessivamente até 1710. Arquitetura Militar.
Informações
Mais informações sobre o Roteiro dos Fortes, contatar a Agem, pelo
tel. (13) 3202-7000
Fonte:
Agência Imprensa Oficial do Estado de SP
|
Pontos
Turísticos - Fortes da Baixada Santista |
| Fortaleza da
Barra (Guarujá)
O
mais importante monumento histórico-militar do Estado de São Paulo
enriquece a topografia da paisagem. As muralhas ou cortinas defensivas
escoram duas plataformas sobrepostas, e depois se unem em direção à
praia do Góes, num total de 300 m. Na plataforma inferior elas
apresentam guaritas, que eram torres destinadas ao abrigo das
sentinelas. A plataforma superior abriga o prédio principal, chamado
quartel, que tem cerca de 800 m2. Possui também uma antiga praça de
armas, que se estende até uma entrada denominada 'portão espanhol'. Os
canhões que existiam na fortaleza estão espalhados por museus de todo
o País, como o que se encontra no jardim do Museu de Pesca, em Santos
(veja verbete). Hoje, no local há apenas a réplica de um original de
campanha do século XIX, padrão Blomfeld, de 12 libras. Em fibra de
vidro, possui carreta de madeira e foi produzida pelo artista plástico
Daniel Gonzalez. Com 80 m2 de área, a capela da fortaleza tem fachada
barroca. Foi erguida a partir das instalações da antiga Casa de Pólvora,
um depósito de armamentos e munições
transferido para local mais seguro, no alto do morro, em 1742. Exibe o
painel 'O Vento Vermelho', montado com 350 mil pedras coloridas, última
obra de Manabu Mabe.
A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande foi
construída pelos espanhóis em 1584, época em que Portugal e Brasil
estavam sob domínio da Espanha, e protegeu o estuário de Santos na época
da Colônia, do Império e da República. Foi desativada em 1905 e
tombada em 1967, mas ficou no abandono até 1993, quando a Universidade
Católica de Santos (UniSantos) organizou uma comissão de restauração.
Erguido quando o Guarujá fazia parte de Santos, hoje o monumento está
situado no território vizinho e acha-se em fase final de recuperação.
Local
Acesso por barco a partir da Ponte Edgard Perdigão, na Av. Saldanha
da Gama, bairro da Ponta da Praia, em direção à Praia dos Góes, com
solicitação prévia de escala na fortaleza
Preço da travessia: R$ 1,50
Funciona diariamente, das 9h00 às 17h00
Agendamento para grupos
pelo telefone 3205-5555, ramal 617
|
| Clique nas fotos
para ampliar |
 |
 |
| Forte
Augusto (Santos)
No local onde está instalado o prédio do Museu de Pesca, existiu o
Forte Augusto, conhecido ainda como da Estacada, da Trincheira e do
Castro. A sua história teve início em 1734, quando a sua construção
é iniciada pelo comandante João Costa de Oliveira, nomeado pelo então
governador da Capitania, conde de Sarzidas. O forte foi construído
sobre alicerces de pedra de alvenaria mal argamassado e com pequena
espessura, por isso, não resistiu ao contato com o mar e aos combates.
Foi desativado no final do século 19 para dar lugar, em 1906, ao
prédio da Escola de Aprendizes Marinheiros.
Local
Av. Bartolomeu de Gusmão, 192 telefone 3261-5260
Funciona de terça-feira a domingo das 10 às 17 horas
|
| Clique
na foto
para ampliar |
 |
| Fortaleza
de Itaipu (Praia Grande)
Localizada na Praia Grande, a Fortaleza de Itaipu ocupa uma área de 2
milhões 400 mil m2 e faz parte do Parque Xixová Japuí, a maior área
de Mata Atlântica preservada da Serra do Mar. O complexo militar reúne
os fortes Duque de Caxias, Rêgo Barros e Jurubatuba. O nome Itaipu é
originário dos índios, que assim denominavam o movimento das ondas que
que cresciam e arrebentavam violentamente nos costões. Sua
construção, em 1902, surgiu da necessidade de se construir um forte
mais moderno, uma vez que a Fortaleza da Barra Grande não apresentava
mais condições para defender a entrada do canal que dá acesso ao
Porto de Santos.
Local
Av. Marechal Mallet, s/n, Canto do Forte telefone 3473-6054 e 3473-4265
Funciona de sábados, domingos e feriados das 10 às 18 horas
|
| Clique
na foto
para ampliar |
|
| Fortaleza
de Itapema (Guarujá)
Reconstruía em 1638 por Torquato Ferreira de Carvalho, possui 8 peças
de artilharia. Em 1905 passou à disposição da Alfândega de Santos.
Tendo muito pouco registro documental, Itapema deveria ser apenas uma
casa forte ou reduto armado com primitivas bocas de fogo constituídas
de bombardas (máquinas de guerra com que se arremessava grandes blocos
de pedra), falcões (peça de artilharia de calibre três) e falconetes
(de calibre inferuior ao falcão).
Local
Defronte do Porto de Santos
Fechado para visitação, pode ser visto por terra, saindo do centro de
Guarujá, ou por mar, através de uma embarcação que sai da Ponte dos
Práticos. Telefone 3352-1222
|
| Clique
na foto
para ampliar |
 |
| Forte
São Felipe (Guarujá)
Localizado na Ponta da Baleia no extremo-norte da Ilha de Santo Amaro,
foi construído por Brás Cubas em 1552, através de uma solicitação
do governador Tomé de Souza ao rei D. João III, que estava ocupado com
os ataques dos tupinambás, tamoios e dos franceses às cidades de
Bertioga e Guarujá. Tinha a função de, juntamente com a artilharia do
Forte São João, defender o Canal de Bertioga. A construção em pedra
é uma casa fortificada para abrigar material pesado como pólvora e
munição. A edificação do Forte de São Felipe ocorreu em 1557, pelo
capitão-mor Jorge Ferreira. O projeto de sua construção, enviado de
Portugal, foi concebido dentro dos novos conceitos renascentistas. No
ano de 1745 instituiu-se no local uma das mais importantes fábricas de
óleo de baleia do Brasil, que tinha uma filial na Praia do Góes. O
óleo era utilizado nas edificações da época. A bateria de canhões
da fortaleza nunca chegou a dar um tiro. Foi abandonada em 1577 e
tombada pelo Iphan em 1965.
Local
Ponta da Baleia
Fechado para visitação. Pode ser visto pelo mar.
|
| Clique
na foto
para ampliar |
|
| Fortaleza
dos Andradas (Guarujá)
Situado no Guaiúba, à entrada da Baía de Santos, no extremo-sul da
Ilha de Santo Amaro, foi inaugurado em 1942. Recebeu esse nome em
homenagem aos irmãos Andradas: José Bonifácio, Antônio Carlos e
Martim Francisco, e foi chamada originalmente pelos caiçaras e índios
de Monduba (barulho ensurdecedor provocado pelo choque estrondoso das
ondas nos penhascos). Ocupa uma área de 2,1 milhões de m2 e foi
construída escavando e encravando túneis com diversas galerias nas
rochas do Morro do Monduba, com o objetivo de assegurar a extensa faixa
litorânea. O conjunto das construções possui um Quartel de Paz,
situado na Praia do Monduba, onde abriga o quartel-general da 1ª
Brigada de Artilharia Articulada, a Bateria do Comando e um Quartel de
Guerra, atualmente desativado. Fazia parte de um sistema defensivo junto
com a Fortaleza do Itaipu em Praia Grande para proteger, principalmente,
o Porto de Santos.Até hoje esta fortaleza subterrânea, embora
desativada, é vista como um grande monumento da arquitetura e da
engenharia militar brasileira. Suas instalações incluem até um hotel
com dez suítes que podem abrigar, com todo conforto, oficiais do
Exército e civis indicados pelos militares.
Local
Rua Horácio Guedes Barreira, s/n, Praia do Tombo
Visitas aos sábados, domingos e feriados das 9 às 17 horas, telefone
3354-3239 ramal 2085
|
| Clique
na foto
para ampliar |
 |
| Forte
São João (Bertioga)
Conhecido como Forte de São Thiago de Bertioga, está situado no
extremo-sul da praia de Bertioga, onde o canal faz junção com as
águas do mar. Em 1531, Diogo Braga (que era casado com uma índia)
juntamente com os tupiniquins, constroem a primeira paliçada em local
estratégico e de grande beleza natural de frente ao canal de Bertioga
para defender a sua entrada. A fortificação possibilitou o desembarque
dos primeiros portugueses como Martim Afonso de Souza. Em 1547, dada a
importância estratégica do canal, os portugueses decidiram então,
construir uma fortificação de pedra que, mais sólida pudesse resistir
aos ataques inimigos. Dois anos mais tarde, em 1549, Hans Staden, um
jovem náufrago alemão, chega a Bertioga e reorganiza as armas
instaladas no forte. Foi nele que, em 1563, os jesuítas Manuel da
Nóbrega, José de Anchieta e o italiano de Gênova, Francisco Adorno,
se hospedaram por alguns dias, antes de irem para Ubatuba apaziguar os
índios revoltados na Confederação dos Tamoios. Considerado o forte
mais antigo do Brasil, foi tombado como Patrimônio Nacional em
1940.
Hoje, totalmente restaurado, mantém um acervo cultural preservado de
duas grandes culturas. A primeira exposição é referente à
indumentária, armas, hábitos e costumes dos primeiros índios que
habitaram Bertioga, a segunda mostra é marcada pela presença de
material religioso, embarcações, armas e armaduras dos colonizadores
portugueses do Século 16.
Local
Praia de Bertioga
Abre diariamente das 10 às 17 horas, telefone 3317-3567
|
| Clique
na foto
para ampliar |
 |
| Casa
do trem bélico (Santos)
A denominação 'trem', que designa um conjunto de objetos apropriados a
certo serviço, deve-se ao fato de o imóvel destinar-se a arsenal bélico.
Lanças, arcabuzes, mosquetes e munição eram armazenados para proteger
a vila de naus corsárias. Embora só no Rio de Janeiro e Bahia tenham
sido erguidas construções do gênero, mantém as características
originais da época colonial. A planta retangular desenvolve-se sobre
plataforma de pedra aparente lavrada, material que se repete no brasão
e volutas que coroam a porta do térreo. Nos dois pavimentos - unidos
por escadaria lateral externa que leva a um alpendre - a pedra é
repetida em umbrais e vergas retas de portas e janelas, que dispõem de
folhas de madeira almofadada. Com mais de 90 cm de largura, as paredes
resguardam contra o calor. Elas decorrem da técnica construtiva da época,
que empregava pedras, cal de sambaqui e óleo de baleia. Este também
era utilizado para iluminação, em todo o Brasil. Sustentada por uma
estrutura de falsa tesoura, a cobertura de quatro águas é formada por
telhas fabricadas por escravos. Como os negros modelavam o barro nas
coxas para obter peças no formato de canal, o resultado era pouco
uniforme. Segundo alguns historiadores, vem daí a expressão 'nas
coxas', para designar trabalho imperfeito. Formando três linhas de
telhas sobrepostas, o telhado tem acabamento em beira ceveira (beira
sobre beira). Esse elemento arquitetônico acrescentou outro termo ao
idioma - sem eira nem beira - que significa situação de miséria.
É um dos poucos exemplares do gênero no País, considerada a única
construção colonial-militar. Em 1937, a Casa do Trem teve a primazia
de ser uma das primeiras relíquias do território paulista a ser
considerada monumento nacional.
Erguida entre 1640 e 1646, a partir de 1948 a edificação abrigou o
Tiro de Guerra 11, para a prestação de serviço militar e do qual se
originou o nome da rua. Depois abrigou escola, seção de alistamento
eleitoral e Serviço de Subsistência do Exército. Desde 1998 ali
funciona um departamento da Prefeitura Municipal que se destina a
resgatar menores por meio de oficinas de surfe, teatro, dança de rua e
'hiphop' (movimento ligado à cultura negra e expresso na dança, em
letras de música e grafitagem).
Local
Rua Tiro Onze nº 11
Tel. 3221-1385
Encontra-se fechado
|
| Clique nas fotos
para ampliar |
 |
 |
|
|