Artigos
Enviados por Colaboradores
2º Semestre de 2010
Educação
sem Futuro
A
Educação é o meio de se construir uma nação mais equânime num futuro próximo.
Sinto que a argamassa não está sendo elaborada com boa qualidade e que nossos
alicerces estão cada vez mais frágeis...
No
Limiar da Inovação
Praia
do Suá: Um Espaço em Produção
SUMÁRIO:
1. Introdução
2. Evolução urbana de Vitória
2.1. Projeto de um novo arrabalde
2.2. Histórico da Praia do Suá
2.3. O hospital
2.3.1. Sobre hospitais...
2.4. Aterramento da Praia do Suá
3. De Periferia a centro...
4. Considerações Finais
5. Referências
RESUMO
Trata de um estudo do bairro Praia do Suá (antiga Vila de
pescadores), Vitória (ES). Investiga a produção daquele espaço ao longo do
tempo; identifica os agentes produtores e seus projetos; analisa as transformações
do local decorrentes das ações desses agentes; avalia efeitos ocasionados por
estas ações; demonstra a descaracterização do lugar e a participação do
mesmo no processo de urbanização de Vitória; sugere medidas que favoreçam
uma melhor ambiência no bairro.
PALAVRAS-CHAVE: Espaço geográfico. Novo Arrabalde. Praia do Suá
1 INTRODUÇÃO
A motivação para a elaboração do estudo surgiu por intermédio de duas
pesquisas realizadas durante o curso de Geografia, que nos permitiram uma
aproximação com a temática em questão, acrescida do fato da autora ser
moradora nativa da Praia do Suá (filha de pescador), tendo acompanhado às
transformações ocorridas no lugar. O tema é Produção do Espaço e o título
“Praia do Suá: um espaço em produção” é decorrente da análise e avaliação
da pesquisa e o objetivo foi o de investigar como ocorreu a produção daquele
bairro no tempo, identificando os agentes produtores e as conseqüências
advindas dessa produção.
Durante o projeto de pesquisa, por ocasião dos levantamentos realizados,
verificamos que a Praia do Suá passa por profundas modificações em sua
estrutura física e social. O bairro que era pacato e acolhedor está cada vez
mais violento e tumultuado, propiciando a mudança de moradores para outros
bairros. Constatamos o abandono de algumas residências, tornando-se estas,
abrigo de pessoas à margem da sociedade (desocupados, ladrões, drogados).
Outras foram transformadas em pontos de comércio e serviços.
A locomoção dentro do bairro também é problemática, dificultada pelos bares
e estabelecimentos, em sua minoria, de venda de pescados. O bairro funciona também,
como ponto de passagem, já que dá acesso à Terceira Ponte e ao Shopping Vitória
e diversos pontos da ilha.
A justificava para a realização do estudo foi a oportunidade de conhecimento
de como a Praia do Suá participa do processo de urbanização de Vitória e de
como a Geografia nos auxilia a compreendê-lo. Segundo Foucault (1988), a
Geografia é um exemplo de disciplina que utiliza sistematicamente inquérito,
medição e exame; tratamentos utilizados na pesquisa, similares, sob a forma de
investigação, análise e avaliação.
Para alcançarmos nosso objetivo foi relevante realizar um levantamento histórico
sobre a cidade de Vitória para conhecermos melhor sua produção. Esse
conhecimento nos possibilitou identificar agentes produtores e planos elaborados
ao longo do tempo e os reflexos dessas ações na Praia do Suá. Dois
planejamentos urbanos, de grande porte, nos quais a Praia do Suá estava incluída,
nos auxiliaram a entender como esse espaço vem sendo produzido ao longo do
tempo, são eles: “O Novo Arrabalde (1896) e O Aterramento da Praia do Suá
(1972)”.
A metodologia adotada foi de levantamento bibliográfico em literatura
pertinente ao assunto, inclusive na mídia impressa; coleta de documentação e
fotos aéreas (retratando a Praia do Suá antes, durante e pós-aterramento);
trabalho de campo realizado no bairro; foi valorizado também o recurso da
fotografia (trabalho executado pela autora); entrevistas com moradores, etc.
Para um melhor entendimento da dinâmica espacial, utilizamos o pensamento de
alguns autores, que nos auxiliaram na compreensão desse fenômeno: Lenyra Rique
da Silva aponta a existência de espaços desiguais produzidos pelo capitalismo;
por meio do pensamento de Antônio Carlos Robert de Moraes & Wanderley
Messias da Costa entendemos o movimento da sociedade e de como o capitalismo a
conduz para reprodução de espaço; Milton Santos define categorias que nos
ajudaram a compreender como o espaço é produzido pela sociedade e a forma como
ela se organiza nele; por intermédio de Armando Corrêa da Silva entendemos que
o espaço é apropriado de diferentes maneiras e Roberto Lobato Corrêa nos
mostra as ações, os agentes produtores e o modo pelo qual se apropriam do espaço.
De posse da compreensão espacial, segundo os autores citados, procuramos
reconhecer esse dinamismo na Praia do Suá, assim como, às conseqüências
advindas dele.
Assim, foi realizado um levantamento histórico da urbanização da cidade de
Vitória com vistas a entender a participação da Praia do Suá nesse contexto.
Conhecemos assim, vários planejamentos urbanos que tinham como finalidade a
expansão e a modernização da cidade, entre eles, “O Novo Arrabalde” e
“O Aterramento da Praia do Suá”, já mencionados.
O estudo foi estruturado da seguinte maneira:
- No capítulo 2, o levantamento da evolução urbana de Vitória possibilitou
conhecer os planos e os agentes produtores desse espaço, no tempo, e de como a
Praia do Suá participa dessa produção.
• Por intermédio do “O Novo Arrabalde, grande planejamento urbano ocorrido
no final do século XIX, identificamos a origem do nosso objeto de estudo”.
Também foi tratado nesse capítulo:
• O histórico da Praia do Suá que nos deu conhecimento dos agentes
produtores e da forma como esse espaço começou a ser produzido no início do século
XX.
• O hospital que fazia parte desse planejamento foi um dos instrumentos
que utilizamos para construir os resultados de nossa pesquisa. Procuramos
entender a finalidade da sua localização na Praia do Suá no início do século
XX e a razão de um outro, menor, sem funções definidas, permanecer no local.
• A partir do aterramento da Praia do Suá, evidenciamos que um novo
espaço estava para ser produzido naquele lugar.
- No capítulo 3, pretendemos demonstrar o espaço produzido no passado e as
evidências de uma nova produção desse espaço no presente, assim como os
reflexos decorrentes dela.
2 EVOLUÇÃO URBANA DE VITÓRIA
De acordo com a pesquisa, o processo de urbanização da cidade de Vitória
foi lento até o final do séc. XIX, e acelerado a partir do séc. XX, devido a
sua localização entre o mar e o maciço central dificultando o seu crescimento
físico, e também pelos poucos recursos à disposição dos governantes. A vila
se desenvolvia basicamente em torno do porto e na base do maciço central
correspondendo ao atual centro da cidade. A preocupação dos dirigentes do
Estado, na época, era expandir à área física da capital para facilitar o seu
crescimento econômico.
Assim, em 1892 foi eleito o Dr. José Melo Muniz Freire para presidente do
estado [assim se chamavam os governadores na época], tendo como principal meta,
atrair e centralizar investimentos de capitais privados dirigidos,
principalmente para o comércio, com vista a promover o desenvolvimento da
cidade; justificando que Vitória possuía os requisitos necessários para se
tornar um importante centro econômico do estado, tais como: por ser a capital e
possuir uma excelente localização geográfica, somado à alta repentina no preço
do café em 1894 [que ocasionou um saldo muito positivo na receita do Estado].
Era o momento propício para colocar em prática os seus planos de
desenvolvimento da cidade, por meio de duas providências principais:
• Saneamento de Vitória, que era precário, propiciando constantes epidemias;
• Expansão do espaço físico, que era muito limitado.
Foi contratado um engenheiro sanitarista para fazer um planejamento urbano, na
região das praias objetivando, setuplicar o tamanho de Vitória, resultando daí
o projeto “O Novo Arrabalde”.
Ao final do governo Muniz Freire, iniciou-se uma crise no cultivo do café
prejudicando suas intenções quanto ao crescimento de Vitória. Essa crise fez
com que, de 1896 a 1908, pouca coisa acontecesse ficando o projeto do Novo
Arrabalde esquecido por um bom tempo.
Em 1908, assume o governo, Jerônimo de Souza Monteiro que mesmo com a crise deu
andamento a alguns projetos iniciados com Muniz Freire como saneamento,
eletrificação e aterros.
Ao longo dos anos, o centro da cidade se tornou insuficiente para a população
local, sendo necessário executar o planejamento urbano proposto por Muniz
Freire.
2.1 PROJETO DE UM NOVO ARRABALDE
Foi o primeiro plano de urbanização da cidade de Vitória (1896), do qual
se originaram os bairros: Praia do Canto, Praia do Suá, Praia de Santa Helena,
Santa Lucia, Bento Ferreira e Jucutuquara. A elaboração foi de Francisco
Saturnino de Brito (engenheiro sanitarista campista) com o objetivo, já
mencionado, de setuplicar a área ocupada da ilha com vistas a criar em Vitória,
um grande centro comercial.
O local escolhido foi a parte leste da cidade onde se situavam as praias, até
então desabitadas; a execução teve reinício no governo de Florentino Avidos
no ano de 1924, após a chegada dos primeiros moradores, cuja ocupação no
bairro foi facilitada por algumas obras, em especial as estradas, iniciadas no
governo Muniz Freire.
Além da parte sanitária, do loteamento, da arborização, da abertura e ampliação
de ruas, também constava do projeto, a construção de um grande hospital no
local de estudo (Praia do Suá) e um cemitério no local onde atualmente é o
bairro Barro Vermelho;
Segundo Campos Júnior (1996), essas obras não foram realizadas no governo de
Muniz Freire, pois, devido à extinção da comissão de melhoramentos, formada
em 1893, presidida por Saturnino de Brito, paralisou-se a obra do hospital já
em início de construção.
2.2 HISTÓRICO DA PRAIA DO SUÁ
A Praia do Suá localiza-se na parte sudeste da ilha de Vitória,
limitando-se ao norte com o bairro Santa Lúcia, ao sul e a leste com o bairro
Enseada do Suá e a oeste com o bairro Bento Ferreira.
De acordo com as fontes pesquisadas, o nome Praia do Suá surgiu da expressão
“Bom Soir”, utilizada por um professor de francês, com muita freqüência,
ao apreciar a beleza das noites no local. Sua paixão pela paisagem era tamanha
que a praia passou a ser conhecida como “Suá” entre as pessoas mais
humildes, pela semelhança do som.
O bairro nasceu como colônia de pescadores, tendo como fundadores, pescadores
portugueses, originários da Póvoa do Varzim, que ocuparam os terrenos baldios
localizados perto do mar, trazendo para o lugar tradições de sua terra natal.
Outros imigrantes também fazem parte desta história. Devido a forte
religiosidade dos imigrantes, o local era propício para moradia deles, pois o
Convento da Penha era visualizado por eles e se sentiam abençoados por
habitarem ali. Construíram suas casas de estuque e, coordenados pela Colônia
de Pesca Z2 [hoje Z5], passaram a viver da pesca. Havia cerca de quarenta famílias
portuguesas cujos chefes se dedicavam à pesca em alto-mar. Fixava-se assim,
desde os primórdios, a vocação pesqueira do futuro bairro.
Seus antigos moradores, segundo Neves & Pacheco (1996), guardam a lembrança
de um local desprovido de condições urbanas satisfatórias, pois na época
havia somente água, mato e areia. Alguns comentaram que o bairro era bem
arborizado existindo, inclusive, pomares em alguns trechos. O terreno onde mora
a autora desse estudo era uma chácara, no passado.
De acordo com nossa investigação, aquela zona praiana, até o começo do século
XX, era pouco freqüentada e praticamente despovoada devido a dificuldades de
acesso. De acordo com Derenzi (1965), a Praia do Suá no início do século XX,
era coberta de intensa vegetação, quer de mangue, nos alagadiços, quer de
cajueiros, palmeiras e arbustos próprios de solo arenoso.
O início da ocupação dos lotes na Praia do Suá de acordo com o autor
referenciado e confirmado por alguns moradores, deu-se em 1906, originando-se do
projeto “O Novo Arrabalde”.
2.3 O HOSPITAL
Derenzi (1995) diz que o hospital projetado [a Santa Casa de Misericórdia]
não foi além dos alicerces robustos e foi transformado na época, em favela
perigosa e prejudicial aos arruamentos do bairro. Esse hospital ocuparia uma
extensa área no lugar.
Com a não construção do grande hospital, um de menor porte, em homenagem aos
pescadores, foi construído no lugar onde seria a Santa Casa de Misericórdia.
No restante do lote foram construídas residências. O novo hospital foi chamado
de “São Pedro”, cuja inauguração foi no ano de 1959. Esse hospital sofreu
ao longo do tempo, adaptações e modificações em sua estrutura e
funcionamento, ficando fechado em algumas ocasiões. No ano de 2007 passa a
funcionar como um Pronto-atendimento (PA).
2.3.1 SOBRE HOSPITAIS...
Segundo Foucault (1988), a coabitação em um mesmo tecido urbano de pobres e
ricos foi considerada um perigo sanitário e político para a cidade, o que
ocasionou a organização de bairros pobres e ricos, de habitações ricas e
pobres [grifo nosso].
Foucault diz também que a questão do hospital é fundamentalmente a do espaço
ou dos diferentes espaços a que ele está ligado, que a preocupação era de
onde localizar o hospital, que era necessário que o espaço em que estivesse
situado se ajustasse ao esquadrinhamento sanitário da cidade e que é no
interior da medicina do espaço urbano que deveria ser calculada a localização
do hospital [grifo nosso].
2.4 ATERRAMENTO DA PRAIA DO SUÁ
Ocorreu na década de 1970, o projeto continha várias finalidades, tais
como: criação de área para ocupação residencial; urbanização da região
do Suá; possibilidade de criação de atividades comerciais e de prestação de
serviços na região; melhoramento da circulação de veículos...
Segundo Carvalho & Rothschaedl (1994), no projeto inicial da Enseada do Suá,
esta constava como sendo uma área de expansão residencial com apenas uma região
de pequeno comércio. Seria construída para descentralizar o centro, mas com
características principalmente residenciais. O comércio e serviços que ali
existiriam seriam para atender as proximidades. Esse projeto, segundo aquelas
autoras, foi alterado devido a mudanças na presidência da COMDUSA. A construção
da Terceira Ponte (denominada Darcy Castelo de Mendonça) no ano de 1989
modificou essa perspectiva. A partir desse evento, o local não foi visto mais
simplesmente como área para expansão residencial e sim, para exploração
comercial e serviços locais, tendo-se também a intenção de considerá-lo no
futuro como um possível novo centro de Vitória.
3 DE PERIFERIA A CENTRO (resultados)...
Procuramos conhecer o significado das palavras arrabalde e periferia para
entendermos a localização da Praia do Suá no passado. Segundo Rocha (1995),
arrabalde seria um bairro afastado, um subúrbio. Para Bueno (1956), periferia são
bairros afastados do centro da cidade. Arrabalde e periferia seriam então sinônimos.
O Novo Arrabalde, portanto, se localizaria na periferia (afastado do centro da
cidade).
No projeto do Novo Arrabalde constava um grande hospital a ser construído na
Praia do Suá e um cemitério no Barro Vermelho, nos recordando as palavras de
Foucault: “é no interior da medicina do espaço urbano que deveria ser
calculada a localização do hospital” [grifo nosso], reforçando assim, nosso
entendimento de ser aquele lugar zona periférica (segregada), já que era no
centro da cidade que a elite morava, no qual estavam localizadas as principais
atividades.
No passado, falando de Brasil, preferia-se morar nos centros urbanos, pois era o
local de concentração do comércio. Geralmente quem morava nos centros urbanos
era a elite (por falta de opção), no caso de Vitória; a população mais
carente e proveniente de zona rural (êxodo rural), por volta dos anos 60,
quando a indústria começa a despontar como alternativa para a diversificação
econômica ano estado, foi morar nos morros.
Em virtude da localização desse hospital na Praia do Suá, da pequena extensão
do bairro e, por conseguinte, poucos loteamentos, ligado ao fato de a Praia do
Suá naquela época se localizar próximo a uma Vila de operários e ainda estar
entre dois morros (atualmente São José e Jesus de Nazaré), pensamos que
dentro do Projeto do Novo Arrabalde teriam áreas preferenciais para a elite
morar e que provavelmente a Praia do Suá não seria uma delas. Pela formação
do bairro e características mantidas até recentemente, não se têm evidências
e nem notícias de que a elite um dia morou no local de estudo.
Apesar de até então estarmos falando de localização, pensamos que a Praia do
Suá também era periferia no sentido das classes sociais ali existentes, assim
como da função que esse bairro exercia naquela época para Vitória, sem
importância significativa, pensamos.
Um hospital, no passado, geralmente era construído fora da área residencial,
devido à falta de infra-estrutura existente que ocasionava epidemias.
No trabalho realizado em campo constatamos:
- Quantidade cada vez menor de residências, demonstrando que o lugar deixou de
ser essencialmente residencial, como era no passado;
- “Rugosidades” (setores de resistência), de acordo com Santos (1992); a área
onde os pescadores moravam, em proximidade do mar (no período anterior ao
aterramento), é onde, ainda, existe uma grande concentração de residências;
- Bairro com áreas distintas, o velho e o novo convivendo juntos, lembrando o
que foi dito por Santos (1992), sobre “o novo e o velho”. O bairro Enseada
do Suá, construído na área aterrada, com padronização moderna e arrojada,
também contrasta com o lugar.
- Perda da identidade cultural do bairro; com o aterramento e posterior urbanização,
o bairro deixou de ser tipicamente, um local habitado por pescadores e perdeu
também seus festejos populares (Festa de São Pedro);
- Características de centro: intensa movimentação de veículos (ponto de
passagem), atividades de comércio e serviços praticadas no local por meio do
surgimento de novas formas (bancos, edifícios, lojas, bares, supermercado, clínicas...).
- Poluição visual (prédios que impedem visualização do mar e Convento da
Penha) e auditiva (barulho de veículos), dificuldade de locomoção.
A Terceira Ponte localizada próxima ao local de estudo, trouxe reflexos já
esperados, pois segundo Escobar (1989 p.47), “a nova ligação entre Vitória
e Vila Velha com acessos muito próximos às áreas residenciais e a eixos viários
importantes, causará impactos na estrutura urbana destas áreas”, juntamente
com o Shopping Vitória contribuem para muitos dos problemas apresentados nesse
estudo, no tocante a parte viária, movimentação e modernização de algumas
áreas do bairro.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O aterramento deu continuidade a um processo de descaracterização do
lugar, ocasionando um sentimento de ambivalência nos moradores, por meio da
satisfação com o novo e perspectivas advindas dele (progresso); mas, ao mesmo
tempo, desconforto e insatisfação (perda da identidade cultural do local de
estudo), trazendo como primícia, a ausência do mar, que os pescadores tinham a
sua porta.
O bairro que era uma vila de pescadores foi perdendo suas características
originais em detrimento do planejamento urbano destinado para aquela área, em
princípio, um grande aterramento (atualmente Enseada do Suá). A nova paisagem
que se descortina para os moradores, são prédios altíssimos que impedem que o
Convento da Penha seja apreciado por eles.
Devido a todo o exposto verificou-se que o lugar deixou de ser, como já foi
dito pacato e acolhedor. A Praia do Suá possui cada vez menos características
de uma vila de pescadores e cada vez mais características de centro urbano.
Constatou-se, no espaço estudado (que foi produzido inicialmente pelos
pescadores), a incorporação de outros agentes (iniciativa pública/privada),
que fazem uma nova produção, promovida pela dinâmica espacial.
A fim de amenizar alguns transtornos, advindos da circulação de veículos
dentro do bairro, foi encaminhada ao prefeito da capital uma cópia da
monografia mencionada, constando (em anexo) um croqui, identificando os
principais problemas observados.
A contribuição da pesquisa para a Geografia é demonstrar algumas maneiras
pela qual, a teoria geográfica possibilita investigar, entender e avaliar a
produção do espaço geográfico.
5 REFERÊNCIAS
1 BRITO, Francisco Saturnino Rodrigues de. Projeto de um novo
arrabalde / Francisco Saturnino Rodrigues de Brito – Rio de Janeiro : Xerox do
Brasil; Vitória : Arquivo Público Estadual do Espírito Santo, 1996 – 73p:
il.; 28 (coleção Canaã, v.2).
2 CAMPOS JÚNIOR, Carlos Teixeira de. O Novo Arrabalde. Vitória: PMV,
secretaria Municipal de Cultura e Turismo, 1996.
3 CARVALHO, Nélia Maria Marinho de; ROTHSCHAEDL, Sílvia Letícia.
Enseada do Suá, um bairro em evidência. Monografia apresentada ao Departamento
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo, 1994.
4 CORRÊA, Roberto Lobato. O Espaço Urbano. 2. ed. São Paulo: Ática,
1993. 94p.
5 ______. Região e Organização Espacial. 3 ed. São Paulo: Ática,
1990. 215 p.
6 DERENZI, Luiz Serafim. Biografia de uma Ilha. 2. ed. Vitória: PMV,
Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, 1995.
7 ESCOBAR, Maria do Carmo Grijó. Acessos Norte-Uso e Ocupação do Solo.
Projeto de Graduação II. Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Universidade
Federal do Espírito Santo, Vitória, 1989.
8 FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 7. ed. Rio de Janeiro: Graal,
1988. 295 p.
9 MORAES, Antônio Carlos Robert & COSTA, Wanderley Messias da.
Geografia Crítica: A Valorização do Espaço. 4. ed. São Paulo:
Hucitec, 1999. 196 p.
10 NEVES, L. G. S & PACHECO, R.C. Memória Viva. Vitória: Secretaria
Municipal de Cultura e turismo, 1996.
11 SANTOS, Milton. A urbanização desigual : a especificidade do fenômeno
urbano em países subdesenvolvidos. Petrópolis : Vozes, 1982.
12 ______. Espaço e Método/ Milton Santos. 3.ed. São Paulo: Nobel,
1992. 88 p.
Síntese do projeto de aterramento da Praia do Suá, 1972. Instituto Jones dos
Santos Neves.
13 ______. Metamorfoses do Espaço Habitado: Os fundamentos teóricos e
metodológicos da Geografia. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1991. 124 p.
14 SEABRA, Odette Carvalho de Lima. O que é cidade? Revista de Geografia,
São Paulo, 11:99-100, p. 100, 1992.
15 SILVA, Armando Corrêa. As categorias como Fundamentos do Conhecimento
Geográfico. Seminário “Filosofia e Geografia”, AGB, Rio de Janeiro, 1983
16 SILVA, Lenyra Rique da. A Natureza Contraditória do Espaço Geográfico.
São Paulo: Contexto, 1991.
17 Síntese do projeto de aterramento da Praia do Suá,1972. Instituto
Jones dos Santos Neves.
18 Universidade Federal do Espírito Santo. Biblioteca Central. Guia para
normalização de referências: NBR 6023/2000. Vitória: A Biblioteca, 2005.
19 Universidade Federal do Espírito Santo. Biblioteca Central. Normalização
e apresentação de trabalhos científicos e acadêmicos: guia para alunos,
professores e pesquisadores da UFES / Universidade Federal do Espírito Santo. 5
ed. ver. e ampl. Vitória: A Biblioteca, 2005.