|
Artigos
Enviados por Colaboradores > MicroEducação
no Orkut Envie seus textos para a
redação
Biblioteca
do Microeducação - Arquivo de Artigos desde 2003 A vida na encruzilhada "Não
espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida." Tom
Coelho Políticas públicas erradas e desinformação continuam a provocar revolta nos educadores
Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da
jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada” na revista Veja. É com
grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do
mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este
panorama desalentador.
Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para
diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam
que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos
repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e
observem a realidade brasileira.
Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são
impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não
somente pela escola.
Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar
em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm),
brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina
seguem perdidos na vida.
Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é
amor, atenção, orientação e disciplina.
Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de
estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria.
Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados
na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para
quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos
brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente
brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?
E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional
diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever
e fazer contas com fluência.
Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo
terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham
com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula
(o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e
a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas
escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios
interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.
E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além
disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades
escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem
remuneração;
Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado
quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm
de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os
profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar
a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde?
É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem
que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.
Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por
isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que
realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com
as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance
de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá,
porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem
alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre
outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para
motivar. Mas, ainda não é tão grave.
Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos.
Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.
Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que
dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos
ultrapassa um certo limite.
E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem.
Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se
passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso
é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer
contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça.
Ela é cruel e eles já são adultos.
Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros?
Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque
há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros.
Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira
mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados.
Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e
aprimorando-se. Em vez de cronômetros,
precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas
cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em
melhores condições e em maior quantidade.
Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os
alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também,
urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja
destruído por ele mesmo. Em plena era digital, os professores ainda são
obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões
(ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros.
Francamente!!!
Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma
calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma
sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até
agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e
“incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque
não tiveram TEMPO.
Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem
as provas corrigidas.
Vamos fazer uma corrente via internet, repasse a todos os seus! Grata.
Vamos começar uma corrente nacional que pelo menos dê aos professores respaldo
legal quando um aluno o xinga, o agride... chega de ECA que não resolve nada,
chega de Conselho Tutelar que só vai a favor da criança e adolescente (capazes
às vezes de matar, roubar e coisas piores), chega de salário baixo, todas as
profissões e pessoas passam por professores, deve ser a carreira mais bem paga
do país, afinal os deputados que ganham 67% de aumento tiveram professores, até
mesmo os "alfabetizados funcionais". Pelo amor de Deus somos uma
classe com força!!! Somos politizados, somos cultos, não precisamos fechar
escolas, fazer greves, vamos apresentar um projeto de Lei que nos ampare e
valorize a profissão. Eu
amo tudo o que foi, tudo o que já não é Vanessa
Storrer
|